O zen do coco e o zen do cocô.
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Na Indonésia, os caçadores costumam usar cocos para caçar macacos. É assim: eles fazem um buraco no coco, tiram aquela melequinha de coco e deixam dentro uma fruta ou outra coisa doce. Colocam o coco numa árvore, preso de uma maneira que um macaco normal não consiga tirar. E esperam.
(Pra que é que alguém caça macacos? Sei lá, e tu pergunta pra mim?)
Vai lá o macaco, sente cheiro de coisa boa, enfia a mão dentro do coco pra pegar. Ops. A pata, fechada, com o doce dentro, não sai pelo buraco. Se abrir a pata e deixar o doce no coco, dá pra tirar (se entrou tem que sair, né?) Mas meu, pensa o macaco, eu vou sair daqui sem doce? Não. Tenta de novo. Não vai. Mais uma vez. Nada. Puxa a pata, empurra o coco, meu, tá doendo. De novo, porra, não sai. Chega o caçador. Putz, fodeu.
Tá beleza, você pergunta, mas o que é que eu tenho com isso? Eu não sou macaco, nem tou afim de pegar um. O que cazzo eu ia fazer com um macaco, afinal?
O lance, meu amigo leitor, é que volta e meia a gente acaba agindo como o macaco. A gente quer alguma coisa, a gente se frustra, e sofre. A gente insiste no querer, e continua sofrendo. Eu estou supersimplificando a coisa, mas é só pra você pegar a idéia. Essa é uma historinha budista, que o pessoal conta para explicar o conceito de apego; explicar que o apego às coisas terrestres é a fonte do sofrimento do mundo, e que o desapego é a única maneira de evitá-lo.
Se desapegar. Não dar importância, ligar o foda-se. Cagar e andar. Pegou?
Então.
June 30th, 2008 at 8:49 am
“(Pra que é que alguém caça macacos? Sei lá, e tu pergunta pra mim?)”
Caça-se macacos para uma coisa chamada tráfico de animais.
“Tá beleza, você pergunta, mas o que é que eu tenho com isso? ”
“Protect me from what I want” — Jenny Holzer
Se deapegar não é cagar e andar. Cagar deixa rastros, pistas, e andar é evoluir.
Se desapegar é não se apegar. Cagar e andar é querer deixar marcas e rastros.
June 30th, 2008 at 2:14 pm
caguei, ó.