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	<title>cagando e andando</title>
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	<description>e outros gerúndios</description>
	<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 11:05:27 +0000</pubDate>
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		<title>Das ocupações pós-modernas, parte 2: O pau-de-puta elevado à categoria de esporte</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 01:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[And now for something completely different&#8230; full frontal nudity

Num esforço desesperado para recuperar a antiga audiência do meu falecido blog e quiçá conseguir novos leitores, eu me vejo tentada a apelar para aquele assunto que move a humanidade e mobiliza todos os povos desde a aurora dos tempos: a sacanagem. Bom, mais ou menos. Isto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>And now for something completely different&#8230; <a href="http://youtube.com/watch?v=lRv9uy1ZPtU">full frontal nudity</a></p></blockquote>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-20" title="pole" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/07/pole.jpg" alt="" width="360" height="445" /></p>
<p>Num esforço desesperado para recuperar a antiga audiência do meu falecido blog e quiçá conseguir novos leitores, eu me vejo tentada a apelar para aquele assunto que move a humanidade e mobiliza todos os povos desde a aurora dos tempos: a sacanagem. Bom, mais ou menos. Isto é sacanagem levada a sério, por que nós aqui na redação somos pessoas sérias.</p>
<p>Todo mundo viu, ou pelo menos ouviu falar, da Flávia Alessandra dançando no cano na novela das oito. Aqui em Pindorama isso ainda é o tradicional pau-de-puta, mas lá fora a pole dance anda a maior febre entre senhoras de respeito de todas as idades. Senhoras que provavelmente jamais entraram ou entrarão em um  <em>relax for men </em>ou qualquer destes eufemismos. Por que? Veja bem, meu caro leitor, que sustentar o peso do próprio corpo só com as mãos e/ou as pernas num poste enquanto se movimenta é certamente um bruta de um workout, e além de tudo parece <em>quase </em>divertido. Eu aposto que deixa tudo durinho (heh, heh). O pau-de-puta <em>enquanto fitness</em> tem conquistado adeptas por todo o mundo, EUA, Europa, Austrália, até na <a href="http://www.poledance.com.ar/">Argentina</a> o povo anda levando muito a sério. Diz que aqui em SP apareceu recentemente uma professora oferecendo um curso, mas eu não me sentiria à vontade na presença de alguém que se denomina <a href="http://www.fatimamoura.com.br/">personal sex trainer</a>.</p>
<p>Existe uma <a href="http://www.mpdworld.com/">federação mundial de pole dance</a>, cujo slogan é &#8220;puro esporte e arte&#8221;. Ok. E diz que tem até <strong>campeonato mundial</strong>. <em>Cê jura, Dani?</em> Ju-ro. Teve até o caso do campeonato de 2007, em que <a href="http://www.liveleak.com/view?i=6f9_1193511693">a vencedora</a> foi desclassificada e teve que ceder o título para a japonesa (!) que estava em segundo. Aparentemente, o problema foi que a moça <em>tirou muita roupa</em> durante a performance. O que levanta alguns pontos:</p>
<ol>
<li>Peraí, não era isso o que as pole dancers costumam fazer? Tipo, são <em>pagas </em>pra isso?</li>
<li>Gente, essas calcinhas de gringo&#8230; de onde eu venho, a gente chama isso de bermuda.</li>
<li>O que falta para a pole dance ser reconhecida como esporte olímpico? Tipo, sério. Não vem falar que é indecente ver meninas se contorcendo em roupas sumárias, por que ginástica olímpica não é muito diferente disso.</li>
</ol>
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		<title>Das ocupações pós-modernas, parte 1: Traficante de placebo</title>
		<link>http://cagandoeandando.com/2008/07/traficante-de-placebo/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 01:06:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
Meu prezado leitor, você já teve aquela sensação de que falta algo na sua vida? Percebendo os sinais de que o tempo passa e a idade vai chegando? Anda procupado com o próprio peso? Se sente estressado em casa ou no trabalho? Você talvez seja um dos milhões de portadores da Desordem de Ansiedade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://havidol.com"><img class="alignnone size-full wp-image-18" title="havidol" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/07/havdol_tshirt.jpg" alt="" width="300" height="124" /></a></p>
<p>Meu prezado leitor, você já teve aquela sensação de que falta algo na sua vida? Percebendo os sinais de que o tempo passa e a idade vai chegando? Anda procupado com o próprio peso? Se sente estressado em casa ou no trabalho? Você talvez seja um dos milhões de portadores da Desordem de Ansiedade de Déficit de Consumo e Atenção Social. É uma doença recém descoberta, mas estima-se que até 50% da população ocidental sofra deste mal em maior ou menor grau. Mas não se preocupe, caro amigo, por que esta doença já tem tratamento. Pesquisas recentes comprovaram a eficácia do princípio ativo avafynetyme HCT, conhecido comercialmente pelo nome <strong><a href="http://havidol.com">Havidol</a></strong> (pronuncia-se rrévirol, como em &#8220;have it all&#8221;). Todos os pacientes submetidos ao tratamento reportaram melhora imediata, mesmo aqueles que nem sabiam que estavam descontentes. O medicamento liga-se ao recém-descoberto hormônio hedonina, que age no centro hedônico do cérebro e induz uma sensação de bem estar, tornando possível, enfim, alcançar a felicidade através da química. Havidol: quando mais não é o suficiente.</p>
<p><a href="http://www.naturalnews.com/021665.html"><img class="alignnone" src="http://www.naturalnews.com/cartoons/disease_mongers_inc_600.jpg" alt="disease mongers" width="390" height="455" /></a></p>
<p>O Havidol é um <a href="http://www.artinfo.com/news/story/24396/havidol-at-nys-daneyal-mahmood/">projeto</a> da australiana Justine Cooper (me lembrou do <a href="http://www.panexa.com">panexa</a>, que é um pouco mais óbvio), e é tão próximo da realidade que quase não tem graça. Só pra citar um exemplo, um amigo me lembrou do caso da <a href="http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT582052-1664,00.html">procaína</a>, a moda farmacológica da classe dominante uns anos atrás. As pessoas pagavam cerca de cinco mil reais em um tratamento com <em>anestésico odontológico</em> (que, ao que me parece, custa 30 reais a dose em farmácias de manipulação). As injeções serviriam para rejuvenescer e aumentar a disposição, e o tratamento deve ser acompanhado de suplementos vitamínicos, musculação e uma dieta rígida. Posso estar muito enganada, mas o ponto aqui, meu caro leitor, é que se você segue uma dieta decente, faz musculação e toma vitaminas, independente de tomar qualquer tipo de remédio, você <strong>vai </strong>se sentir mais jovem e disposto, a não ser que tenham mudado toda a fisiologia humana de ontem pra hoje. Acho improvável.</p>
<p>O meu leitor é certamente uma pessoa inteligente, então eu nem preciso dizer que qualquer coisa que prometa ser a solução dos problemas da sua vida, incluindo aqueles que você nem sabia que tinha, é no mínimo suspeita. Em especial quando envolve qualquer espécie de controle, seja financeiro (facilmente identificável pela etiqueta de preço), ou, muito pior, controle político ou ideológico. E na verdade o controle financeiro não deixa de ser controle político, e vice-versa. Por exemplo, para se proteger da &#8220;ameaça do terrorismo&#8221;, um problema bastante vago que você nem sabia que tinha, basta aceitar a vigilância permanente (e continue contribuindo com seus impostos). É para o seu próprio bem, mesmo. Para impressionar <em>as mina</em>, compre esse carro fantástico; quando você termina de pagar as prestações, o carro já está ultrapassado e seus efeitos como <em>pussy magnet</em> se terão desvanecido (ainda serve como meio de transporte, mas quem é que usa um carro apenas como meio de transporte?), aí é só comprar outro. Para evitar o inferno, basta ir à igreja e fazer o que o pastor mandar, ele é uma pessoa iluminada e sabe mais do que você - e não se esqueça de deixar o dízimo. Afinal, que autoridade você tem para decidir sobre sua própria vida?</p>
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		<title>de humani corporis fabrica</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 01:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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Tem esse meu amigo, que é muito querido, mas com quem eu falo só uma vez a cada inverno. Como é tão raro a gente se comunicar, estava procurando pelo menos uma novidade boa pra mandar no email&#8230; e tava complicado, por que num tá fácil pra ninguém, não é? Até que lembrei de dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-15" title="vesalius_pg_178" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/07/vesalius_pg_178.jpg" alt="" width="327" height="400" /></p>
<p>Tem esse meu amigo, que é muito querido, mas com quem eu falo só uma vez a cada inverno. Como é tão raro a gente se comunicar, estava procurando pelo menos uma novidade boa pra mandar no email&#8230; e tava complicado, por que <em>num tá fácil pra ninguém</em>, não é? Até que lembrei de dizer que estou <em>me exercitando.</em></p>
<p>Parece banal, eu sei, e na verdade é. Não virei maratonista, não quebrei nenhum recorde. Só estou num programinha que intercala caminhada e corrida, até que eu consiga só correr - nada puxado, uma coisa meio devagar e sempre. Por que isso seria minimamente digno de nota, você pergunta? Caso me conheça, a resposta é bem óbvia; senão, explico. O caso é que eu não me chamo Danieli &#8220;<em>balofa pride</em>&#8221; Moreira à toa. Você sabe aquela aluna que nunca fez educação física na vida, que sempre tinha uma desculpa ou atestado? Muito prazer, esta é Danieli &#8220;<em>couch potato</em>&#8221; Moreira. Sabe aquela pessoa que nem assiste o futebol na TV, por que cansa só de olhar o esforço alheio? A própria, Danieli &#8220;<em>fritas acompanha</em>&#8221; Moreira. Eu até tive fases de lutar judô, kung fu, frequentar <em>cadjimia</em>, às vezes os três ao mesmo tempo. Mas essas coisas nunca vingavam, e eu sempre voltava pro sofá mais rápido do que você consegue dizer &#8220;condicionamento físico&#8221;. O que me faz pensar que dessa vez <em>vai</em>? Eu acho que é <strong>o motivo certo</strong>.</p>
<p>Explico. Pra começar, eu tenho certeza que pelo menos metade dos meus amigos leitores não está feliz com o próprio corpo. A maioria das pessoas não está, homens e mulheres. Eu pergunto é quantos de vocês realmente têm razão para estar descontente. <a href="http://www.copacabanarunners.net/imc.html">IMC</a> acima de 25 ou abaixo de 19? Só encontra roupa na Fofuxa&#8217;s Fashion, tudo capinha de botijão? Ou, pelo contrário tem que comprar calças em loja infantil, por que o PP é muito largo? Não? Então não precisa de paranóia. Você está bem. Sério.</p>
<p>Não tou falando que as pessoas devem deixar de se preocupar com a própria aparência. Não mesmo, na real eu sempre achei que esse negócio de &#8220;beleza interior&#8221; era invenionice de gente feia (<em>e você pensa que é bonito ser feio?</em>). Eu gosto de ver gente bonita na rua (e ver gente bonita no espelho) tanto quanto você. O problema é que essa coisa da aparência, em especial esse mito do &#8220;corpo perfeito&#8221;, da maneira como é, hoje, na sociedade ocidental, é uma coisa doente. Sabe aquele corpo perfeito da menina na capa de revista? Sabe aquela pele de pêssego, aqueles seios firmes, aquela cinturinha que você sempre quis? Nada daquilo existe.</p>
<p>Pra começar, essa gente que é capa de revista vive da própria aparência, então eles têm muito mais tempo e dinheiro do que qualquer um de nós para cuidar dela. Além disso, meu amigo, vou te contar um segredo: eu trabalhei um tempo com retoque de imagens, e posso afirmar que todas, absolutamente TODAS aquelas capas de revistas são extremamente photoshopadas. Não a maioria. Não um pouquinho. Todas, muito photoshopadas. Olha <a href="http://homepage.mac.com/gapodaca/digital/digital.html">isso aqui</a> pra entender do que eu estou falando. Espinhas e celulites são apagadas, peitos são aumentados, cinturas diminuídas. Os homens também não escapam, a gente tira o pânceps, define os músculos, até <a href="http://www.pollsb.com/polls/poll/16283/david-beckham-s-ad-package-real-or-photoshop">aumenta a mala</a>. O dito &#8220;padrão de beleza&#8221; é mantido num parâmetro inatingível, pra que você, meu amigo e minha amiga, gente normal como eu, se ache mais feio que um absorvente usado. Por que? Por que tem toda uma indústria que lucra com isso. Compra esse creme, que vai acabar com a sua celulite em um mês. Leva essa revista, que tem todos os exercícios que as celebridades usam pra ficar em forma. Olha esse livro, com a todos os truques pra emagrecer e ficar linda. E por aí vai. Te digo que faltou uma unha pra eu desenvolver um transtorno alimentar mais grave, quando eu era mais nova&#8230; mas enfim. O fato é que, por conta disso tudo, eu criei repulsa dessa coisa do culto ao corpo. Falava até com certo orgulho sobre isso de nunca fazer exercício. Danieli &#8220;<em>balofa pride</em>&#8221; Moreira.</p>
<p>Porém, é claro, sempre tem um porém.</p>
<p>O lance é que o corpo humano foi feito pra fazer esforço. Esforço físico, que fique claro. Os nossos ancestrais eram obrigados a fazer esforço para garantir a própria sobrevivência, nós ganhamos a vida sentados na frente de um computador. É preciso procurar outras fontes de esforço, simplesmente pra garantir que o corpo funcione apropriadamente. Não é pra ser atleta. Não é pra ser modelo. Você precisa se mexer simplesmente para o corpo <em>funcionar</em>. E é por isso que a gente precisa de atividade física.<br />
É claro que você não iria encontrar um neandertal correndo 30 minutos por dia na esteira de osso e pele de mamute. Mas, me diz, quando foi a última vez que você correu 30 minutos com uma lança na mão atrás de um gnu? Ok, um pouco mais contemporâneo: quando foi a última vez que você pegou numa enxada? Pois é, meu amigo, pois é.</p>
<p>&#8220;Mas eu não faço exercício e vivo muito bem&#8221;. Você acha? Eu também achava. Mesmo sem conseguir subir dois lances de escada sem perder o fôlego, eu achava que vivia bem. Mesmo sem conseguir correr atrás do ônibus, eu achava que vivia bem. Mesmo com um hemograma de dar vergonha pra alguém da minha idade, eu achava que vivia bem. Mesmo com a capacidade pulmonar de um velhinho de 70 anos, eu achava que vivia bem. Mesmo morrendo de frio com o sol brilhando lá fora, meus dedos quase caindo congelados (por que sedentarismo e problemas de circulação andam juntos), eu achava que vivia bem. Você talvez viva bem, mesmo. Eu não. E é por isso que eu decidi praticar atividade física.</p>
<p>Deve fazer coisa de um mês, mas eu já sinto melhora. Muita. A circulação anda ótima, não sinto tanto frio, e o pouco de celulite que eu tinha já sumiu. Já consigo subir as escadas correndo. Já consigo correr atrás do ônibus, sem perder o fôlego nem sentir aquelas pontadas de dor no tronco. Me sinto disposta, não fico cansada e sonolenta o dia todo. Não virei maratonista, não quebrei nenhum recorde. Continuo fumando, continuo bebendo, comendo doce, fritura. Mas estou bem, fisicamente bem, bem como poucas vezes me senti na minha vida adulta.</p>
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		<title>ceci n&#8217;est pas le descartavel</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 05:14:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[
Acho que boa parte de vocês que estão por aqui, senão todos, já me conhecia do falecido descartavel.com (ok, a maioria de vocês me conhece mesmo é da Rua Augusta). O público do descartável era menor que a torcida do américa, mas bem mais fiel que corintiano-maloqueiro-sofredor. Eu gostaria de não decepcioná-los, mas preciso avisar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/pipe1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-14" title="pipe1" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/pipe1-300x298.jpg" alt="" width="300" height="298" /></a></p>
<p>Acho que boa parte de vocês que estão por aqui, senão todos, já me conhecia do falecido descartavel.com (ok, a maioria de vocês me conhece mesmo é da Rua Augusta). O público do descartável era menor que a torcida do américa, mas bem mais fiel que corintiano-maloqueiro-sofredor. Eu gostaria de não decepcioná-los, mas preciso avisar que <em>this blog ain&#8217;t no descartável</em>.</p>
<p>O descartável morreu por uma série de motivos: falta de tempo, falta de assunto, e principalmente falta de tesão. Mas o fato é que eu estou acostumada a ter blog desde que existem blogs. Gosto de escrever, gosto de ter esse canal aberto pra falar (e ouvir; blog é diálogo), gosto de manter meu pensamento registrado. Conheci pessoas bacanas pelos blogs que tive. Mais dia, menos dia, ia acabar voltando, e voltei.</p>
<p>O que eu preciso deixar claro é que <em>esse blog é estritamente pessoal</em>. Não se preocupem que não vai ser uma coisa tipo &#8220;hoje eu comi pão com manteiga na chapa&#8221;, e também não vou dar detalhes sobre o meu ciclo menstrual ou o funcionamento do meu intestino. Mas o único jeito pra me manter no tesão de escrever é escrever sobre o que me der na telha.</p>
<p>Estava relendo os posts de hoje. Em um a gente fala de cartuns políticos, no outro de tatuagens científicas, um terceiro sobre música contemporânea. Bem o tipo de tema que o descartável tratava. Mas sério, não é pra ser assim. Quer dizer, eventualmente sim, por que esse tipo de coisa faz parte da minha vida. Mas eu vou escrever sobre futebol, novela, receita de bolo. Não vou fazer o menor esforço pra manter esse blog num certo &#8220;nível&#8221;, como era com o descartável. Pra que, pra provar que eu sou inteligente/culta/fodona? De boa, não careço de provar nada pra ninguém, sabe? Ainda se desse dinheiro, vá lá, mas como não dá, eu tou cagando e andando pra isso.</p>
<p>Os meus antigos leitores, espero que continuem por aqui. E agradeço pelo estímulo. Vocês quase me convencem que eu escrevo mais ou menos bem.<br />
Os novos leitores, fiquem à vontade. Façam de conta que a casa é minha. E sejam bem vindos.</p>
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		<title>se matemática fosse boa&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 01:16:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[matemática]]></category>

		<category><![CDATA[música]]></category>

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Então. Eu só queria deixar registrado aqui que uma das minhas Grandes Frustrações na Vida é não ter o menor talento pra matemática, quase empatado com não manjar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;não começava com má. Ok, piada estúpida, eu sei. Poderia ser pior, eu nem vou contar pra vocês aquela do &#8220;se gatorade fosse bom, não começava com gay&#8221;.</p>
<p>Então. Eu só queria deixar registrado aqui que uma das minhas Grandes Frustrações na Vida é não ter o menor talento pra matemática, quase empatado com não manjar nada de música (e um pouco atrás de não ter nascido sueca, alta, magra e rica). Matemática e música são duas coisas misteriosas e mágicas pra mim, e é bem fácil me impressionar com qualquer uma delas. E é por isso que eu piro loucamente com Xenakis.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-11" title="metastasis" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/metastasis.jpg" alt="" width="500" height="253" /></p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Iannis_Xenakis">Iannis Xenakis</a> é possivelmente o meu compositor contemporâneo preferido. Na real, ele começou arquiteto, trabalhou com o Le Corbusier e tudo e tal. Essa formação dele de arquiteto é que o faz um compositor tão singular. Ele usava <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stochastic#Music">fórmulas matemáticas</a> pra compor, desenhava gráficos antes de partituras (e o que é uma partitura senão um gráfico, afinal?), uma coisa louca. Que funciona.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/A7iub8HyrWM&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/A7iub8HyrWM&amp;hl=en" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O gráfico lá em cima é a &#8220;partitura&#8221; da Metastasis, uma obra baseada na visão do Einstein sobre o tempo. Tem uma série de versões no youtube, não é difícil de achar. A música já é incrível, e com o auxílio visual é uma coisa definitivamente pirante. Tem que ver, tem que ver.</p>
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		<title>tatu</title>
		<link>http://cagandoeandando.com/2008/06/tatu/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 23:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um amigo acabou de me passar esse link de tatuagens científicas. Lindo.
Essa da ilustração é a representação numérica e gráfica da proporção áurea. Pirei, mesmo. Se isso não for a coisa mais absolutamente genial da face da terra, eu não sei o que é.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://carlzimmer.typepad.com/photos/uncategorized/2008/05/14/ratio600.jpg" alt="a proporção áurea" width="410" height="586" /></p>
<p>Um amigo acabou de me passar <a href="http://carlzimmer.typepad.com/">esse link</a> de tatuagens <em>científicas</em>. Lindo.<br />
Essa da ilustração é a representação numérica <strong>e</strong> gráfica da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Propor%C3%A7%C3%A3o_%C3%A1urea">proporção áurea</a>. Pirei, mesmo. Se isso não for a coisa mais absolutamente genial da face da terra, eu não sei o que é.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>au naturel</title>
		<link>http://cagandoeandando.com/2008/06/au-naturel/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 22:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tá fazendo nada? Tem esse site aqui, o naturalnews.com, teoricamente sobre saúde, alimentação natural, e tals. Na prática, é bem mais político do que isso. Mas é bacaninha, apesar de ser um pouquinho puxado pra teoria da conspiração e o alarmismo. Os cartuns, pelo menos, são ótimos.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.naturalnews.com/021872.html"><img class="alignnone" src="http://www.naturalnews.com/cartoons/old-new-warfare_600.jpg" alt="*burp*" /></a></p>
<p>Tá fazendo nada? Tem esse site aqui, o <a href="http://www.naturalnews.com">naturalnews.com</a>, <em>teoricamente </em>sobre saúde, alimentação natural, e tals. Na prática, é bem mais político do que isso. Mas é bacaninha, apesar de ser um pouquinho puxado pra teoria da conspiração e o alarmismo. Os cartuns, pelo menos, são ótimos.</p>
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		<title>das cores</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 01:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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Quando eu tinha uns dez anos, as minhas amigas na escola tinham aqueles caderninhos de recordação, em que a gente respondia um questionário bem babaquinha. Quem passou a infância nos anos oitenta deve saber do que eu estou falando. Uma pergunta que de vez em quando aparecia era &#8220;cor da pele&#8221; (coisa que eu acho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/benetton.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-7" title="benetton" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/benetton.jpg" alt="" width="400" height="276" /></a></p>
<p>Quando eu tinha uns dez anos, as minhas amigas na escola tinham aqueles caderninhos de recordação, em que a gente respondia um questionário bem babaquinha. Quem passou a infância nos anos oitenta deve saber do que eu estou falando. Uma pergunta que de vez em quando aparecia era &#8220;cor da pele&#8221; (coisa que eu acho meio idiota, nem pelas possíveis implicações racistas, mas qual o sentido de perguntar algo que é tão visível?). E a resposta mais freqüente, independente da cor real da pele da pessoa, era &#8220;morena clara&#8221;. Me lembro da reação da minha amiga Val, preta pretíssima, ao ler as respostas no caderninho dela, onde até uma amiga nossa, indisfarçavelmente caucasiana - loira natural, olhos verdes - colocou &#8220;morena clara&#8221;. Ela leu tudo aquilo em voz alta, olhou bem pra gente, e disse: &#8220;meu&#8230; cês são tudo um bando de branquela azeda&#8221;.</p>
<p>Eu &#8220;convivo&#8221; com muitos americanos, por causa do Second Life, e acho engraçado como a gente trata essa questão de &#8220;raças&#8221; tão diferente dos gringos. Nem pela questão do racismo, mas do conceito de raças, a diferença (e a separação) entre negros e brancos. Eles tem aquele lance da &#8220;one drop rule&#8221;, em que te basta uma gota de sangue negro pra te jogar no gueto. Segundo essa classificação eu seria irremediavelmente negra, assim como a grandessíssima maioria dos brasileiros.</p>
<p>Acho isso uma bobagem tão grande. Tipo, você vai ignorar todas as suas outras etnias, todas as suas outras culturas? O problema não é ser preta. Eu sou preta. Mas sou muito índia e talvez um pouquinho branca também. Meu fenótipo é de cabocla, é obviamente misturado, apesar de ter muito mais de índio do que de qualquer outro bicho. Mas, me diz, por que isso tem que ser importante? Grandes merda. Caguei.</p>
<p>Numa nota completamente não relacionada, li nalgum lugar que humoristas no mundo inteiro estariam arrasados com a candidatura do Obama no lugar da Hillary. Por que é muito mais socialmente aceitável tirar uma com a cara da loira do que com a do preto.</p>
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		<title>O zen do coco e o zen do cocô.</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 22:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danieli</dc:creator>
		
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Na Indonésia, os caçadores costumam usar cocos para caçar macacos. É assim: eles fazem um buraco no coco, tiram aquela melequinha de coco e deixam dentro uma fruta ou outra coisa doce. Colocam o coco numa árvore, preso de uma maneira que um macaco normal não consiga tirar. E esperam.
(Pra que é que alguém caça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-4" title="babu" src="http://cagandoeandando.com/wp-content/uploads/2008/06/funny-pictures-baboon-butt-heart_thumb1.jpg" alt="" width="500" height="359" /></p>
<p>Na Indonésia, os caçadores costumam usar cocos para caçar macacos. É assim: eles fazem um buraco no coco, tiram aquela melequinha de coco e deixam dentro uma fruta ou outra coisa doce. Colocam o coco numa árvore, preso de uma maneira que um macaco normal não consiga tirar. E esperam.</p>
<p>(Pra que é que alguém caça macacos? Sei lá, e tu pergunta pra mim?)</p>
<p>Vai lá o macaco, sente cheiro de coisa boa, enfia a mão dentro do coco pra pegar. Ops. A pata, fechada, com o doce dentro, não sai pelo buraco. Se abrir a pata e deixar o doce no coco, dá pra tirar (se entrou tem que sair, né?) Mas meu, pensa o macaco, eu vou sair daqui sem doce? Não. Tenta de novo. Não vai. Mais uma vez. Nada. Puxa a pata, empurra o coco, meu, tá doendo. De novo, porra, não sai. Chega o caçador. Putz, fodeu.</p>
<p>Tá beleza, você pergunta, mas o que é que eu tenho com isso? Eu não sou macaco, nem tou afim de pegar um. O que cazzo eu ia fazer com um macaco, afinal?<br />
O lance, meu amigo leitor, é que volta e meia a gente acaba agindo como o macaco. A gente quer alguma coisa, a gente se frustra, e sofre. A gente insiste no querer, e continua sofrendo. Eu estou supersimplificando a coisa, mas é só pra você pegar a idéia. Essa é uma historinha budista, que o pessoal conta para explicar o conceito de <em>apego</em>; explicar que o apego às coisas terrestres é a fonte do sofrimento do mundo, e que o <em>desapego </em>é a única maneira de evitá-lo.</p>
<p>Se desapegar. Não dar importância, ligar o foda-se. Cagar e andar. Pegou?</p>
<p>Então.</p>
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